Marketing

Métricas de marketing para restaurante: o que medir

Por Sebastião Lustosa · Sócio-fundador da Bunker Foods
Publicado em · 8 min de leitura

Restaurante deve medir três coisas no marketing: quantos pedidos cada ação trouxe, quanto custou cada um desses pedidos e quanto de receita ficou atribuída a ela. Alcance, curtidas e seguidores ajudam a entender o conteúdo, mas não dizem se a verba voltou. Se você só puder acompanhar um número, acompanhe o custo por pedido e compare com a margem que cada pedido deixa.

Por que métrica de vaidade engana

Um reel com 50 mil visualizações parece sucesso. Se essas pessoas moram fora do raio de entrega, ou se ninguém pediu, foi entretenimento pago. O contrário também acontece: um anúncio sem graça, com pouco alcance, pode encher a cozinha numa terça.

O problema não é olhar curtida. É decidir verba com base nela. Plataformas de anúncio otimizam para o que você pede. Pedir alcance traz alcance. Pedir pedido exige que você meça pedido.

As três métricas que pagam a conta

1. Pedidos

Quantos pedidos vieram de cada canal ou campanha no período. Parece óbvio, mas é fácil perder a resposta quando não há registro. O pedido chega pelo WhatsApp e ninguém registra de onde o cliente veio.

2. Custo por pedido

Custo por pedido = gasto da ação ÷ pedidos que ela trouxe

Nomeie a conta: custo de mídia por pedido usa só a mídia; custo total da ação por pedido acrescenta produção, criador e outros gastos diretos da ação. Desconto reduz a receita e a contribuição. Não o some novamente ao custo da ação quando já foi descontado da receita. Registre a mesma convenção em todos os canais.

3. Receita atribuída

A soma do valor dos pedidos que vieram da ação. Com ela você calcula o retorno sobre o gasto. O artigo de ROAS para restaurante mostra por que esse retorno precisa ser lido com a margem, não com o faturamento.

Exemplo hipotético: no mês, uma pizzaria gastou R$ 1.500 em anúncio e trouxe 100 pedidos marcados, com ticket médio de R$ 70. Custo por pedido: R$ 15. Receita atribuída: R$ 7.000. Com margem de contribuição de 30%, cada pedido deixa R$ 21. Como o pedido custou R$ 15, sobram R$ 6 por pedido, ou R$ 600 no mês antes dos custos fixos, supondo contribuição calculada antes da mídia e sem outros gastos da ação.

Custo por pedido máximo: a régua da verba

Para saber se o custo por pedido está bom, calcule o máximo que você pode pagar:

Limite teórico de aquisição por pedido = ticket médio líquido × margem de contribuição percentual

Esse é o limite teórico para zerar a contribuição após aquisição no primeiro pedido, antes dos custos fixos. Defina uma meta abaixo dele para deixar contribuição e suportar incerteza. O teto depende de todos os custos variáveis de cada canal; canal próprio não tem sempre teto maior, pois também paga sistema, atendimento, transação e entrega.

Ticket médio Margem de contribuição Custo por pedido máximo
R$ 40 30% R$ 12
R$ 60 30% R$ 18
R$ 60 40% R$ 24
R$ 100 35% R$ 35

Se o cliente costuma voltar, você pode aceitar um custo um pouco maior no primeiro pedido. Só faça isso se tiver dado de recompra. Sem dado, use o teto do primeiro pedido.

Como marcar a origem do pedido

Sem marcação, as três métricas viram chute. Escolha um método por canal:

No iFood, a própria plataforma mostra indicadores de visitas, conversão e vendas no painel do parceiro, como explica o blog de parceiros do iFood. Use esses dados para o canal app e não misture com os do canal próprio.

Métricas de apoio: quando olhar

Algumas métricas não decidem verba, mas explicam por que o custo por pedido subiu ou caiu.

Montando um painel simples

Não precisa de ferramenta cara. Uma planilha com uma linha por canal e por semana resolve:

  1. Canal ou campanha.
  2. Gasto total da ação (mídia, produção, produto e criador, sem duplicar o desconto já abatido).
  3. Pedidos marcados.
  4. Receita atribuída.
  5. Custo por pedido.
  6. Custo por pedido máximo do canal.
  7. Decisão: manter, ajustar ou cortar.

A última coluna é a mais importante. Painel que não gera decisão vira relatório para guardar.

Erros comuns na leitura

E o que não tem custo de mídia?

Conteúdo orgânico, pós-venda e Perfil da Empresa parecem gratuitos, mas consomem tempo de alguém. Para essas frentes, meça de outro jeito. No orgânico, conte mensagens e pedidos que chegam citando o post. No pós-venda, acompanhe quantos clientes contatados fizeram novo pedido em 30 dias. No Google, olhe ligações, rotas e cliques no link de pedido que o próprio perfil mostra. Não precisa virar custo por pedido exato. Basta saber se a frente está trazendo cliente ou só ocupando a equipe.

Ritmo de revisão

Toda semana, olhe pedidos e custo por pedido de cada campanha. Todo mês, recalcule a margem com o CMV atualizado, revise o teto de cada canal e redistribua a verba para quem ficou abaixo do teto. Para conectar isso ao planejamento, veja o plano de marketing para restaurante.

Resumo prático

Valide o painel com uma compra de teste

O guia da Meta separa instalar o código-base do Pixel e configurar eventos, como compra. O Google também exige definir a ação valiosa e concluir a medição. Um clique no botão de pedido pode ser uma conversão cadastrada, mas continua sendo um clique. Dê nomes distintos a abertura de cardápio, conversa, início de pagamento e pedido pago. Não otimize uma campanha para um evento de teste ou para uma visita se a meta é venda.

Faça uma compra de teste e confira se aparece uma vez, com valor e identificador corretos. Confira pagamentos recusados, cancelamentos, reembolsos, moeda e período. Ajuste a coleta às informações e permissões exigidas pelas políticas e pela legislação aplicável; não envie dados pessoais desnecessários em URLs. Quando usar integrações, confirme com o responsável técnico como evitam eventos duplicados.

Exemplo hipotético: Separe custo por pedido de CAC: se R$ 1.500 geram 100 pedidos de 60 clientes novos, a mídia por pedido é R$ 15 e a mídia por novo cliente é R$ 25. CAC completo inclui os demais custos de aquisição definidos na sua convenção. Recompra em 30 dias exige acompanhar cada cliente pelo mesmo intervalo após a primeira compra; quem entrou ontem ainda não teve essa oportunidade.

No exemplo principal, receita de R$ 7.000 sobre mídia de R$ 1.500 dá ROAS de aproximadamente 4,67. Isso é receita atribuída dividida por gasto de mídia, não ROI. O saldo de R$ 600 corresponde à contribuição após mídia nas hipóteses descritas; lucro líquido exige descontar outros gastos e custos fixos. Receita atribuída também pode conter vendas que aconteceriam sem a campanha. Use comparação ou teste controlado quando houver volume, sem tratar atribuição como prova de causalidade.

Perguntas frequentes

Qual a métrica mais importante do marketing de restaurante?

Custo por pedido, comparado com a margem de contribuição do pedido. Essa comparação mostra contribuição antes dos custos fixos, usando pedidos pagos e sem duplicar descontos; não comprova incremento ou lucro líquido.

Curtidas e seguidores não servem para nada?

Servem como sinal de que o conteúdo chama atenção, mas não pagam conta. Use para escolher criativos, não para decidir verba.

Como saber qual pedido veio do anúncio?

Use link com UTM no site, mensagem pré-preenchida no WhatsApp ou cupom exclusivo por campanha. Associe a origem ao pedido pago. UTM exige coleta e integração; cupom e mensagem podem perder ou compartilhar a origem.

Posso confiar no número de conversões do Gerenciador de Anúncios?

Ele é uma estimativa com janela de atribuição própria. Serve para comparar campanhas, mas a decisão de verba deve usar os pedidos registrados no seu sistema.

Com que frequência olhar as métricas?

Custo por pedido e volume, toda semana. Receita atribuída e margem, todo mês. Decisões grandes de verba, só com volume suficiente de pedidos.

Fontes consultadas

Taxas, regras de plataformas e normas mudam. Confira sempre a versão atual na fonte oficial antes de decidir.

Leia também