Tráfego pago

ROAS em restaurante: como calcular e qual é bom

Por Sebastião Lustosa · Sócio-fundador da Bunker Foods
Publicado em · 7 min de leitura

ROAS é a receita atribuída aos anúncios dividida pelo gasto de mídia no mesmo escopo. O índice sozinho não diz se você ganhou dinheiro nem quantas vendas ocorreram por causa da campanha. Para avaliar a operação, compare a contribuição desses pedidos com mídia, despesas adicionais e custos fixos.

A conta básica

A fórmula é simples:

ROAS = faturamento atribuído ao anúncio ÷ valor gasto no anúncio

O Google trata isso como base para o lance por ROAS desejado, e os eventos precisam trazer valores confiáveis. A referência do Pixel exige valor e moeda para Purchase. Não presuma que a plataforma deduz todos os custos do restaurante a partir da receita.

Por que o ROAS bruto engana

Faturamento não é dinheiro no bolso. De cada pedido saem ingredientes, embalagem, taxa de cartão ou de plataforma, imposto e, às vezes, entrega. O que sobra é a margem de contribuição. É dela que o anúncio precisa ser pago.

A própria página de ROI do Google Ads separa as duas coisas: retorno de verdade considera lucro, não receita. Em restaurante essa diferença é grande, porque a margem por pedido costuma ser apertada.

Exemplo hipotético: duas casas gastam R$ 1.000 e faturam R$ 4.000 com anúncio. ROAS 4 nas duas.

  • Casa A tem margem de contribuição de 40%. Os R$ 4.000 deixam R$ 1.600. Tirando o anúncio, sobram R$ 600.
  • Casa B tem margem de contribuição de 22%. Os R$ 4.000 deixam R$ 880. Tirando o anúncio, faltam R$ 120.

Mesmo ROAS, resultados opostos.

ROAS de equilíbrio: o número que você precisa saber

Neste modelo simplificado, o limite cobre apenas mídia e custos variáveis. A margem usada é a de contribuição antes da mídia; não é margem líquida. Não chame esse limite de ponto de equilíbrio de toda a empresa. A conta:

ROAS de equilíbrio = 1 ÷ margem de contribuição

Margem de contribuição ROAS de equilíbrio
20% 5,0
25% 4,0
30% aproximadamente 3,33
40% 2,5
50% 2,0

Com a mesma taxa de contribuição e o mesmo escopo, abaixo desse limite a contribuição total atribuída não cobre a mídia. Acima, há saldo após mídia, antes de fixos e outros gastos. O cálculo agregado não demonstra o resultado de cada pedido nem vendas adicionais. A folga necessária depende dos custos e do risco da operação.

Para chegar à margem de contribuição, você precisa do CMV dos pratos. O guia de CMV do restaurante mostra como calcular.

Passo a passo para medir o ROAS de margem

  1. Separe os pedidos que vieram de anúncio. Associe registros do anúncio aos pedidos confirmados. UTM identifica tráfego; mensagem e cupom podem ser editados ou compartilhados. Registre a parcela sem origem conhecida.
  2. Some o faturamento desses pedidos no período. Use o valor do seu sistema, não o do Gerenciador.
  3. Calcule a margem de contribuição ponderada pela receita desses pedidos, ou some a contribuição individual. Se o anúncio vende muito um combo específico, use a margem desse combo.
  4. Multiplique faturamento por margem. Isso dá a margem gerada.
  5. Divida a margem gerada pelo gasto. Chamamos aqui essa razão de ROAS de margem, para fins de análise. Acima de 1 há contribuição após mídia; abaixo de 1 a mídia excede a contribuição. Não é uma métrica padrão que toda plataforma publica nem lucro líquido.

Exemplo hipotético: no mês, R$ 9.000 em pedidos são atribuídos aos anúncios, com gasto de R$ 2.000. ROAS bruto: 4,5. Margem de contribuição ponderada pela receita desses pedidos: 30%. Contribuição: R$ 2.700. ROAS de margem: 2.700 ÷ 2.000 = 1,35. Restam R$ 700 após mídia, antes de custos fixos e despesas adicionais. Essa conta não comprova contribuição incremental e exige avaliação antes de ampliar.

O que o ROAS não mostra

Dois pontos fazem a conta parecer pior ou melhor do que é.

Recompra. O cliente que chegou pelo anúncio pode voltar a pedir pelo WhatsApp sem anúncio nenhum. O ROAS do primeiro pedido ignora isso. Se você tem dados de recompra, olhe o valor dos primeiros 60 ou 90 dias desse cliente. Sem dados, não chute.

Atribuição duplicada. A Meta e o Google podem contar o mesmo pedido. Cada plataforma usa sua janela de atribuição. Não some índices ROAS. Mesmo somar as receitas atribuídas pode duplicar pedidos; consolide receitas únicas e divida pelo gasto total. A régua tem que ser o seu sistema de pedidos.

Quando o ROAS está baixo: onde mexer

Antes de desligar a campanha, veja qual alavanca está fraca:

ROAS no iFood e no canal próprio

No iFood Ads, a plataforma mostra resultados dentro do próprio app, mas a margem do pedido no iFood já carrega a comissão. Se a contribuição cair por esses custos, o limite simplificado sobe; o canal próprio também pode ter taxas, atendimento e entrega. Um ROAS que paga a conta no WhatsApp pode não pagar no app. Compare sempre na mesma régua: margem gerada por real investido, em cada canal. O artigo iFood Ads ou Meta Ads faz essa comparação.

Erros comuns na leitura do ROAS

Alguns enganos aparecem com frequência quando o dono olha o painel pela primeira vez.

Com que frequência revisar

Uma revisão semanal rápida, olhando custo por pedido e ROAS bruto por campanha, evita sustos. Uma revisão mensal, mais cuidadosa, recalcula a margem de contribuição com o CMV atualizado e confere o ROAS de margem. Quando o preço de um insumo importante sobe, refaça a conta na hora: o seu ROAS de equilíbrio mudou junto.

Resumo prático

Margem média errada produz um limite errado

O material do Sebrae sobre custos e preços distingue contribuição e ponto de equilíbrio. Não basta tirar ingredientes da receita. Considere os custos variáveis da venda e use o mix realmente comprado na campanha. Um prato com margem alta pode aparecer no anúncio e vender pouco, enquanto o combo com desconto domina os pedidos.

Se somar a contribuição individual, divida esse total pela receita válida para encontrar a taxa ponderada. A média simples das porcentagens de dois pratos não representa necessariamente o conjunto. A taxa precisa estar no mesmo escopo da receita usada no ROAS.

Para consolidar canais, use identificadores de pedidos, datas e status. Informe se frete, desconto e cancelamento entram na receita e quais gastos entram no denominador. Se o gasto for zero, a divisão não produz um ROAS válido; não registre retorno infinito como resultado operacional.

O ROI também exige uma base declarada. O exemplo do Google considera custos de produto e publicidade no denominador, além de subtraí-los da receita. Outros recortes gerenciais podem avaliar apenas uma ação específica; sem dizer quais custos entram, duas porcentagens de ROI não são comparáveis. Nenhuma dessas contas demonstra sozinha causalidade da campanha.

Perguntas frequentes

Como calcular o ROAS do restaurante?

Divida a receita atribuída aos anúncios pelo valor investido neles no mesmo período. Se R$ 1.000 em anúncio trouxeram R$ 5.000 em pedidos, o ROAS é 5.

Qual é um ROAS bom para restaurante?

Não existe um número único. Um limite simplificado para cobrir mídia e custos variáveis é 1 dividido pela margem de contribuição antes da mídia. Com 30%, ele é aproximadamente 3,33. Acima disso ainda há fixos e despesas adicionais; não é garantia de lucro.

Qual a diferença entre ROAS e ROI?

ROAS compara faturamento com gasto em anúncio. ROI relaciona resultado depois dos custos com a base de investimento adotada, que precisa estar definida. Um restaurante pode ter ROAS alto e ROI negativo se a margem dos pratos vendidos for baixa.

O ROAS mostrado no Gerenciador de Anúncios é confiável?

O resultado depende dos eventos, valores e regras de atribuição usados no relatório. Confira período, configuração e pedidos reais antes de comparar campanhas. Um valor atribuído não comprova venda adicional nem lucro.

Fontes consultadas

Taxas, regras de plataformas e normas mudam. Confira sempre a versão atual na fonte oficial antes de decidir.

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