iFood
Entregador do iFood ou motoboy próprio: comparação de custo e controle
Entrega própria e logística do iFood têm estruturas de custo diferentes. Não dá para afirmar qual custa mais sem saber plano, ticket, distância, equipe e volume. Compare o custo total para atender a mesma cesta de pedidos, no mesmo período. Depois confira se cada modelo suporta o pico, preserva a qualidade e atende às obrigações aplicáveis.
Os três modelos possíveis
Antes de comparar, vale separar as opções:
- Logística do iFood no plano com entrega. A plataforma cuida da entrega dos pedidos feitos no app, e isso se reflete nas condições do plano. Confira as condições atuais no Portal do Parceiro.
- Entrega própria. A loja tem seus entregadores, contratados ou autônomos, e faz todas as entregas.
- Modelo misto. A loja entrega com equipe própria e chama entregador da plataforma quando precisa. O iFood oferece isso pelo Sob Demanda, em que o restaurante paga um frete calculado pela distância e pode solicitar entrega também para pedidos feitos fora do app, como WhatsApp e telefone (Sob Demanda iFood).
Sob Demanda depende de cobertura, entregador disponível e forma de pagamento compatível. Não trate a chamada extra como capacidade garantida. Para pedidos externos, a página oficial informa frete e taxa de serviço de 4% do pedido, com mínimo de R$ 0,20 e máximo de R$ 6,70. Confirme a cotação antes de contratar; a regra do pedido externo não é a comissão do marketplace.
O custo real da entrega própria
O erro clássico é olhar só a diária ou o salário do motoboy. A conta completa inclui:
- Remuneração: salário ou diária, mais valor por entrega se houver.
- Encargos, quando contratado pela CLT. A CLT, arts. 193 e 195, trata de periculosidade e caracterização técnica. O Anexo V da NR-16 considera o deslocamento laboral em vias abertas à circulação pública, com exceções como trajeto exclusivo casa-trabalho e uso eventual ou por tempo extremamente reduzido. A organização deve obter laudo de médico do trabalho ou engenheiro de segurança; não conclua o enquadramento apenas pelo nome do cargo.
- Veículo: combustível, manutenção, pneus, depreciação, seguro. Se a moto é do entregador, isso costuma vir embutido na diária ou em uma ajuda de custo.
- Equipamentos: bag térmica, capacete, colete, celular.
- Gestão: tempo de alguém organizando rotas, escala, faltas.
- Exigências legais: a Lei 12.009/2009 regulamenta o motofrete e traz requisitos como tempo mínimo de habilitação, curso especializado e colete de segurança. Confira também autorização do veículo e exigências estaduais e municipais com os órgãos responsáveis. Os arts. 6 e 7 tratam de responsabilidades de quem emprega ou contrata serviço continuado; chamar o prestador de autônomo não elimina essas obrigações.
Só depois de somar tudo é que dá para dividir pelo número de entregas.
A conta que decide
O número que importa é o custo por entrega.
Para entrega própria: custo mensal total ÷ entregas feitas no mês.
Para plataforma: separe comissão sobre vendas, processamento de pagamento, mensalidade aplicável, frete efetivamente pago pela loja e eventual subsídio de entrega. No Sob Demanda, use a cotação e as taxas correspondentes à origem do pedido. Evite somar duas vezes uma despesa já incluída no plano.
A tabela oficial de planos informa comissões diferentes para Básico e Entrega. A diferença de comissão incide sobre valor de venda, e não como frete fixo por viagem. Compare ainda o custo fixo mensal aplicável. A taxa de entrega cobrada do consumidor não pode ser presumida como receita integral da loja: confira o demonstrativo do contrato.
Exemplo hipotético: um motoboy custa à loja R$ 4.000 por mês somando tudo. Com 800 entregas no mês, o custo é R$ 5 por entrega. Com 300 entregas, sobe para cerca de R$ 13. Se a entrega pela plataforma sair por volta de R$ 9 na distância média da loja, o custo hipotético de R$ 5 é menor que R$ 9, enquanto R$ 13,33 é maior. Isso compara só logística: comissão, mensalidade e outros custos dos canais precisam entrar separadamente para decidir o plano. Os valores são ilustrativos; use seus custos e os valores do seu contrato.
No exemplo, R$ 4.000 foi mantido constante por hipótese. Na prática, combustível, remuneração por viagem e reforço de equipe podem aumentar com o movimento. Separe parcela fixa e variável. Para dois modelos com fixo F e custos variáveis v distintos, o ponto de igualdade depende dessas diferenças; a conta deixa de servir quando exige outro entregador ou muda o raio.
O problema da concentração de horário
Levante a distribuição real dos pedidos por dia e turno. Algumas lojas concentram demanda no jantar do fim de semana, outras no almoço dos dias úteis. A média mensal esconde essas diferenças.
Isso cria um dilema:
- Se você dimensiona a equipe para o pico, paga gente parada no resto do tempo.
- Se dimensiona para a média, o pico atrasa, e atraso vira nota baixa.
Exemplo hipotético: uma pizzaria faz 60% das entregas entre 19h e 22h de sexta a domingo. Dois motoboys dão conta da semana, mas no pico de sábado seriam necessários quatro. Em vez de contratar quatro, a loja mantém dois fixos e chama entregador sob demanda quando a fila passa de um limite. A hipótese só funciona se houver entregador disponível e a cozinha suportar o volume. Compare o custo combinado e atrasos registrados; não há garantia de nota nem de custo intermediário.
Controle: o que você ganha com equipe própria
Custo não é o único critério. Com entregador próprio você:
- treina como entregar (chegar com a bag fechada, confirmar o pedido, ser educado);
- define prioridades de rota;
- pode entregar também pedidos de canal próprio e do salão;
- conhece quem está levando sua comida.
Com entregador da plataforma, você ganha flexibilidade e perde parte desse controle. Para algumas operações, a experiência na porta do cliente é parte central da marca. Para outras, o que importa é chegar rápido e quente.
Riscos que entram na conta
- Trabalhista. O vínculo depende da realidade da prestação. O art. 3 da CLT considera serviço não eventual, dependência e salário; o art. 2 descreve a direção da prestação pessoal pelo empregador. Exclusividade, isoladamente, não resolve o enquadramento. Isso transforma uma economia aparente em passivo. Fale com o contador ou advogado antes de definir o vínculo.
- Acidente. Moto é atividade de risco. Confira equipamentos obrigatórios e obrigações do vínculo e das normas locais. Avalie cobertura de seguro e responsabilidades no contrato, sem presumir uma apólice universal obrigatória para todo modelo.
- Dependência de uma pessoa. Se o único motoboy falta no sábado, a loja para de entregar.
- Dependência da plataforma. Se toda a logística está no app, qualquer mudança de condição atinge a operação inteira.
Passo a passo para decidir
- Conte as entregas de um mês normal, separadas por dia e faixa de horário.
- Some o custo total da entrega própria atual ou da que você pretende montar.
- Calcule o custo por entrega própria.
- Pegue o custo por entrega da plataforma no Portal do Parceiro, para trajetos e valores de pedido representativos, verificando quem arca com cada cobrança.
- Compare por faixa de horário, não só pela média do mês.
- Teste o modelo misto por algumas semanas: equipe própria para a base, sob demanda para o excedente.
- Acompanhe nota, atraso e custo antes e depois.
Para aprofundar o cálculo do custo da equipe, veja motoboy próprio: custos. Para decidir quanto cobrar do cliente, veja taxa de entrega: como calcular.
Qual escolher
Não existe resposta única. Em geral:
- Volume baixo ou irregular: logística da plataforma ou sob demanda.
- Volume alto e constante, raio curto: entrega própria tende a sair mais barata.
- Volume alto concentrado em picos: avalie reforço próprio, terceirizado ou sob demanda, considerando disponibilidade e custo marginal.
Refaça a conta sempre que o volume mudar bastante. A decisão que fazia sentido com 300 pedidos pode não fazer com 1.000.
Perguntas frequentes
Entrega própria é sempre mais barata que a do iFood?
Não. Compare remuneração, encargos aplicáveis, veículo, equipamentos e gestão com comissão, mensalidade e fretes do plano. Volume, distância, capacidade e concentração de pedidos alteram a conta.
Posso usar entregador do iFood só no horário de pico?
O iFood oferece a modalidade Sob Demanda, em que a loja solicita entregador pelo Gestor de Pedidos, inclusive para pedidos feitos fora do app. Confirme disponibilidade na sua cidade e condições no Portal do Parceiro.
Motoboy contratado com carteira tem custo extra?
Além de salário e encargos, avalie periculosidade com profissional de segurança do trabalho. A CLT e o Anexo V da NR-16 tratam do uso laboral da motocicleta e das exceções; o enquadramento exige laudo técnico.
Qual modelo dá mais controle sobre a experiência do cliente?
Equipe própria permite definir treinamento, escala e rotas, mas exige supervisão e capacidade. Esse controle não garante pontualidade. Na logística parceira, confira responsabilidades e alternativas em caso de indisponibilidade.
Fontes consultadas
- O que é Sob Demanda iFood (iFood Parceiros)
- Lei nº 12.009/2009 (regulamenta o motofrete)
- CLT: arts. 2, 3, 193 e 195
- MTE: Portaria 2.021/2025 e Anexo V da NR-16
- iFood: taxas dos planos
Taxas, regras de plataformas e normas mudam. Confira sempre a versão atual na fonte oficial antes de decidir.